Essa semana Helena chegou em casa me pedindo pra pentear e prender os cabelos. Ela sempre detestou os cabelos presos, mesmo me vendo, volta e meia, com rabo de cavalo. Estranhei. Pegou a escova, a sacolinha de acessórios de cabelo que ganhou e não usava e me mostrou como queria o penteado, com riqueza de detalhes. Atendi e fiquei encucada. Na escola, perguntei para a professora quem usava o tal penteado. Todas as meninas, só ela que não gostava e não usava. Se rendeu pra se adequar. Tá, era só um penteado, tudo bem. Mas algo me incomodou. Hoje uma amiga, recém separada, me disse que se culpa pela separação. Ela disse que, racionalmente sabe que não tem culpa, mas não consegue se livrar do sentimento. "É o inconsciente coletivo, amiga". Finalmente compreendi, era isso que me incomodava na história do penteado. Eu não posso livrar a minha pequena de herdar essa culpa que a minha amiga sente. Não posso livrá-la da sensação que precisa perder sempre pelo menos dois quilos. Não posso livrá-la da crença de que mulheres devem ser mais calmas, tranquilas e compreensivas. Não posso livrá-la da carga mental que suportamos todas, mesmo que inconscientemen
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Não sei se foram os contos de fada ou a ausência de conversas sobre a vida, mas fato é que a gente acredita que um dia vai chegar lá. Lá, aquele lugar lindo, sem problemas, sem dúvidas, sem estresse, sem frustrações. Lá, onde a gente vai se conhecer plenamente e nunca mais vai meter os pés pelas mãos. Lá onde a vida é perfeita e cheira a jasmim. E ainda não chegamos lá porque não nos tornamos perfeitos o suficiente. Vivemos apegados ao lá, um lugar perfeito onde seremos perfeitos e a vida não nos atingirá em cheio com as suas imprevisibilida
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Texto: Elisama Santos
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Deixe que as cadeiras tomem a sala e o cobertor vire cabana, forte, esconderijo.
Deixe que os papéis se espalhem na mesa por mais tempo que o costume, que os legos e pequenas pecinhas encham o chão de cor.
Deixe que os brinquedos passem o dia no sofá, fazendo companhia, fazendo festa.
Não, não estou pregando um libera geral. Estou pedindo que tenhamos compreensão e flexibilidade.
Compreensão pra entender que eles perderam o pega pega na hora do recreio.
As gargalhadas com os amigos.
A tarde na casa da vovó.
O parque no final de semana.
O correr livre.
Aquele filme no cinema.
A festinha junina.
O aniversário dos amiguinhos e, pra muitos, as sonhadas festinhas dos próprios aniversários.
E exatamente pelas perdas - deles e nossas - precisamos de flexibilidade. Flexibilidade com os pedidos deles, com os nossos tropeços. Flexibilidade com as regras que sempre pareceram tão importantes e que, agora, já não fazem tanto sentido. Eu sei que por dentro estamos bagunçados, barulhentos e desorganizados.
Um dia eles não estarão brincando e correndo pela casa. Não precisaremos pedir que falem baixo enquanto tentamos escutar/
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Texto: Elisama Santos
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