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Essa semana Helena chegou em casa me pedindo pra pentear e prender os cabelos. Ela sempre detestou os cabelos presos, mesmo me vendo, volta e meia, com rabo de cavalo. Estranhei. Pegou a escova, a sacolinha de acessórios de cabelo que ganhou e não usava e me mostrou como queria o penteado, com riqueza de detalhes. Atendi e fiquei encucada. Na escola, perguntei para a professora quem usava o tal penteado. Todas as meninas, só ela que não gostava e não usava. Se rendeu pra se adequar. Tá, era só um penteado, tudo bem. Mas algo me incomodou. Hoje uma amiga, recém separada, me disse que se culpa pela separação. Ela disse que, racionalmente sabe que não tem culpa, mas não consegue se livrar do sentimento. "É o inconsciente coletivo, amiga". Finalmente compreendi, era isso que me incomodava na história do penteado. Eu não posso livrar a minha pequena de herdar essa culpa que a minha amiga sente. Não posso livrá-la da sensação que precisa perder sempre pelo menos dois quilos. Não posso livrá-la da crença de que mulheres devem ser mais calmas, tranquilas e compreensivas. Não posso livrá-la da carga mental que suportamos todas, mesmo que inconscientemente. A história do penteado me mostrou que ela receberá muito mais influências que as minhas e, de certa forma, herdará um enorme peso de um papel social imposto. E a gente acha que salto alto, depilação e padrão de beleza são gostos pessoais. Que é um simples gosto ou não gosto. O coração apertou por pensar que preciso fortalecer a sua autoestima, o seu amor próprio, porque será bombardeada pelo que significado que dão ao "Ser mulher." Me perguntam porque falo tanto das desigualdades sociais entre homens e mulheres. É por Helena. É por mim. É por todas as meninas que herdarão uma imagem distorcidas de si mesmas.É pela vizinha e pela filha dela. É por todas as mulheres que sustentam relacionamentos abusivos por acharem que tem responsabilidade em manter a família unida, por se considerarem incapazes de viverem nesse mundo sozinhas. É pelo "com essa roupa tava pedindo.", é pela maldita pergunta "tem filhos?" na entrevista de emprego. No final das contas, a história do penteado me lembrou que pari uma mulher... e isso dói.

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1 de novembro de 2017 às 23:33 ·
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Publicação recente por Página

Elisama Santos atualizou a sua foto de perfil.

foto Isaac Martins Fotografia

7 h ·
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Não sei se foram os contos de fada ou a ausência de conversas sobre a vida, mas fato é que a gente acredita que um dia vai chegar lá. Lá, aquele lugar lindo, sem problemas, sem dúvidas, sem estresse, sem frustrações. Lá, onde a gente vai se conhecer plenamente e nunca mais vai meter os pés pelas mãos. Lá onde a vida é perfeita e cheira a jasmim. E ainda não chegamos lá porque não nos tornamos perfeitos o suficiente. Vivemos apegados ao lá, um lugar perfeito onde seremos perfeitos e a vida não nos atingirá em cheio com as suas imprevisibilidades. Faz tempo que deixei de acreditar no lá. A vida é caminho, processo. Não acho que um dia serei uma pessoa calma e tranquila. Não acho que serei a relaxadona do rolê. Acredito que com o tempo e o treino aprenderei a ter cada vez mais auto regulação, que quanto mais aprender a acessar os lugares de calma e tranquilidade em mim, mais acessíveis eles serão. Mas sei que, se não estiver atenta, a minha primeira reação volta facilmente para o lugar de reatividade e explosão. E isso não me faz menos incrível, menos amiga, menos mãe. Só me lembra da minha própria humanidade. A mídia, muitos profissionais, a indústria e todo um mercado giram em torno de colocar esse lá como um lugar possível e alcançável. Basta querer. Basta se esforçar. Basta comprar o celular da moda e ter a pele e o cabelo perfeitos. Lá. Feliz. Intocável. Não existe lá. A nossa humanidade tem, como itens de série, a dor, a tristeza, a frustração,a alegria, o ânimo, a felicidade. Tudo junto e misturado, numa eterna dança. Nos resta aproveitar a caminha, aprender com os tropeços, celebrar os acertos. Nos resta aprender que a vida acontece agora e não esta sentada aguardando que a gente chegue lá. Somos perfeitamente imperfeitos. Lindamente feios. Absolutamente contraditórios, como a vida, essa danada incontrolável. Chegar lá não fala de competências, mas de ilusões. Passando pra te lembrar que você é boa(bom) o suficiente hoje. Sim, pode melhorar, mas isso não muda o fato de que hoje, agora, nesse instante, você merece se tratar com amor, carinho e respeito. Hoje. Aqui. Não lá. Não existe lá.
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Texto: Elisama Santos
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18 h ·
Público

Deixe que as cadeiras tomem a sala e o cobertor vire cabana, forte, esconderijo.

Deixe que os papéis se espalhem na mesa por mais tempo que o costume, que os legos e pequenas pecinhas encham o chão de cor.

Deixe que os brinquedos passem o dia no sofá, fazendo companhia, fazendo festa.

Não, não estou pregando um libera geral. Estou pedindo que tenhamos compreensão e flexibilidade.

Compreensão pra entender que eles perderam o pega pega na hora do recreio.

As gargalhadas com os amigos.

A tarde na casa da vovó.

O parque no final de semana.

O correr livre.

Aquele filme no cinema.

A festinha junina.

O aniversário dos amiguinhos e, pra muitos, as sonhadas festinhas dos próprios aniversários.

E exatamente pelas perdas - deles e nossas - precisamos de flexibilidade. Flexibilidade com os pedidos deles, com os nossos tropeços. Flexibilidade com as regras que sempre pareceram tão importantes e que, agora, já não fazem tanto sentido. Eu sei que por dentro estamos bagunçados, barulhentos e desorganizados. E em meio a essa insuportável falta de controle dos ventos que nos sacodem internamente, buscamos controlar o que está fora: a louça, os brinquedos, a espontaneidade infantil. Sim, organização é importante. E viver também é.

Um dia eles não estarão brincando e correndo pela casa. Não precisaremos pedir que falem baixo enquanto tentamos escutar/ fazer leitura labial daquele vídeo no YouTube. Um dia ficaremos com o silêncio. Com o silêncio e com as lembranças. E eu te garanto que as que te farão sorrir, quase que involuntariamente, não serão as da pia perfeitamente limpa e da casa impecável. Flexibilidade. Por que não?
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Texto: Elisama Santos

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19 de junho às 12:00 ·
Público
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