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IMPORTANTE - Não confundam BOTECOTERAPIA com Psicologia científica. Sobre a tragédia da Escola de Goiânia. [atualização em 23/out no final do post]
Análises superficiais de tragédias podem ser tão danosas quanto as próprias tragédias.
Minha timeline explodiu com a notícia "Não foi Bullying" escrita por um SUPOSTO psicoterapeuta chamado Jordam Campos. [me recuso a colocar a "notícia" com o texto do autor aqui e dar mais ibope por um sujeito sem quaisquer condições técnicas ou éticas de analisar a situação].
Antes de tudo, vamos esclarecer: o autor NÃO É PSICÓLOGO, se auto intitula FILÓSOFO, iridologista e psicoterapeuta que trabalha com Terapia de Regressão, PNL e outras pseudociências.
AINDA que o individuo fosse psicólogo clínico ou psiquiatra, seria um desserviço e uma questão ética séria fazer a análise do caso -- de um estudante adolescente que atirou nos colegas de sala em Goiânia essa semana -- a partir de recortes de notícias publicadas no jornal.
Isso é um disparate!
Sem avaliar pessoalmente o adolescente, analisar criteriosamente
Perigoso porque muitas pessoas já acreditam que bullying é frescura e que não impacta na saúde mental das crianças e adolescentes. Menos ainda acreditam que o bullying crônico possa levar a condições severas de alterações emocionais (depressão, ansiedade, etc) e contribuir para a apresentação de um padrão de comportamento prejudicial (agressividade,
Colocar a culpa no próprio adolescente (e em sua família) sem ter acesso às informações é perpetuar um ciclo de exclusão e sofrimento que não irá reduzir os diversos problemas emocionais que temos que acolher constantemente na clínica fruto do Bullying.
Provavelmente, assim como em qualquer situação extrema, diversos fatores podem ter contribuído concomitantemen
O que não podemos, de forma alguma, é "analisar" de forma displicente, sem acesso às informações necessárias, e ainda alardear um veredicto se valendo de uma pretensa posição de autoridade como esse Jordan resolveu fazer.
Por favor, não confundam Botecoterapia com Psicologia Científica. A população já é avessa a psicologia e psicoterapia por diversas razões, mas associar psicoterapia com porcaria e manchetes sensacionalista
By Larissa Zeggio 22/10/2017
ps: O uso do termo "psicoterapeuta
ATULIZAÇÃO EM 23 DE OUTUBRO:
PARA TODOS, aproveito a resposta que escrevi para uma pessoa que comentou no texto e esclareço alguns pontos da discussão abaixo a quem interessar:
É importante ressaltar alguns pontos nessa história: 1- O autor se vale da condição de "psicoterapeuta
a- usa a falácia da autoridade para sustentar sua "análise" e
b- fere princípios éticos profissionais ao expor publicamente sua análise, sobretudo quando feita de forma taxativa como o fez (imagem com letras garrafais dizendo "não foi bullying");
2- Ele foi leviano e inconsequente no texto. Em certa medida os jornalistas também foram ao afirmarem que a causa da tragédia ERA o bullying (o que poderíamos relevar minimamente, pois jornalistas não são profissionais da saúde), mas isso é descabido de alguém que se diz um profissional de saúde que está se pautando em informações parciais disponibilizada
3- Não acho que apenas psicólogos (ou psiquiatras) devem discutir sobre casos de saúde mental, entretanto, a formação profissional é relevante nessa discussão. O autor trabalha com uma série de pseudociências e, do ponto de vista científico, tem tanto argumento quanto um leigo para discutir.
4- A população geral ainda confunde "psicoterapeuta
5- Qualquer aluno iniciante da área de saúde mental sabe que comportamentos desviantes são fruto de uma somatória de fatores (ambientais, genéticos e interacionais entre ambos) e, sendo assim, NUNCA seria possível afirmar nesse caso que FOI OU NÃO FOI o bullying, visto que ele é apenas um dos componentes nessa equação (e o peso dele no desfecho só seria possível analisar com muitos mais dados sobre o caso).
6- Por fim, o autor faz um JULGAMENTO MORAL sobre se o adolescente sofreu ou não bullying e sobre sua família, inclusive afirmando que alguns dias de alguém xingando o adolescente de "fedorento" não teriam quaisquer efeitos e não caracterizariam