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O papel dos exames para o diagnóstico da alergia alimentarResumo do artigo "abordagem laboratorial no diagnóstico de alergia alimentar": http: // www. scielo. br/pdf/rpp/v25n3/a11v25n3. pdf (uma das autoras é a Dra. Renata Cocco e o artigo é de 2007, e faz uma revisão dos artigos publicados sobre o tema nos últimos 10 anos). O artigo faz uma revisão para verificar a melhor forma de diagnosticar alergias mediadas por ige (imediatas) e não mediadas (retardadas). O médico tem que levar em consideração: - a história clínica; - os exames laboratoriais; - a dieta de exclusão e desencadeamento (retorno do alimento excluído à dieta). História clínica: Tem papel fundamental. Por isso, é muito importante manter um diário com os alimentos que come e as reações que apresenta.O tipo de reação e quanto e o intervalo de tempo entre o aparecimento dos sintomas e a ingestão dos alérgenos é uma informação muito importante para identificar o tipo de alergia. As reações alérgicas decorrentes de alimentos são classificadas em: - mediadas por IgE (exemplos: urticária, angioedema, algumas manifestações gastrintestinais como edema e prurido de lábios, língua ou palato, vômitos e diarréia, sintomas respiratórios como prurido ocular e lacrimejamento, congestão nasal e broncoespasmo e reações sistêmicas como a anafilaxia com hipotensão e choque); - mistas (mediadas por IgE e células); - e não mediadas por IgE (proctite, colite - manifestações como sangue e/ou muco nas fezes, sangue oculto nas fezes). I - Alergia alimentar mediada por IgE A determinação da IgE sérica específica auxilia na identificação das alergias alimentares mediadas por IgE de tipo I ou anafiláticas. A pesquisa de IgE específica ao alimento suspeito pode ser realizada tanto in vivo pela realização dos testes cutâneos de hipersensibilidade imediata (TC), como in vitro pela dosagem da IgE específica no sangue (esse exame foi chamado no passado de "rast", e embora não seja mais o método utilizado, ainda é conhecido por esse nome). A detecção de IgE específica tem sido considerada como indicativo da sensibilização ao alimento, na maioria das vezes apenas orientando o alimento a ser testado com dieta de exclusão e posterior desencadeamento.Ou seja, um exame positivo não fecha o diagnóstico de alergia. precisa ser confirmado com o teste de exclusão e desencadeamento do alérgeno. – testes cutâneos de hipersensibilidade imediata Conhecido como "prick": usa extratos comerciais. Resultados positivos com eficácia de 60 % e negativos com eficácia de 95%. Ou seja, o resultado negativo é bem confiável, mas um resultado positivo pode ser falso positivo com chances grandes. - "Prick to prick": usa extratos naturais – para alguns autores é mais eficaz. Ressalvas a esses exames: - Podem desencadear reações sistêmicas, inclusive anafilaxia. Só devem ser feitos em consultórios com kit de emergência ou hospital. - Uso de corticóides e anti-histamínicos devem ser suspensos pelo menos 5 dias antes. - Contra-indicado em pacientes com dermografismo evidente, o que poderia gerar resultados falso-positivos e pacientes com lesões cutâneas extensas, distúrbios de coagulação ou em uso de beta-bloqueadores. Quanto maior a pápula formada, mais eficaz é o valor positivo, sendo considerado um verdadeiro positivo, valores maiores que 8 mm para LV. - In vitro – IgE sérica específica Ainda que os níveis de IgE total sejam baixos, podem ser detectados valores aumentados de IgE específica para determinado alérgeno. Inicialmente recebeu o nome de rast. O padrão ouro para determinação da alergia alimentar ainda é a dieta de exclusão com melhora e retorno com piora. Os testes laboratoriais ajudam a indicar quais alimentos devem ser usados. Ainda não existem parâmetros estabelecidos de valores séricos de IgE específica em nossa população que possam auxiliar no diagnóstico e/ou decisão para realização do teste de provocação oral. Esses valores variam de população a população. O que significa dizer que valores positivos podem ser falsos, mas servem para indicar os alimentos que vem ser excluídos para testes. Valores negativos também podem ser resultados falsos. IgE sérica específica e reatividade cruzada Ainda que não pertençam à mesma classificação taxonômica, determinadas proteínas apresentam sequências idênticas de aminoácidos. É o caso do pólen ou do látex com algumas frutas e vegetais. Outras vezes, a similaridade entre as proteínas ocorre intra e interespécies, como o leite e a carne bovinos e as leguminosas, respectivamente. Esta homologia explica a importância da IgE nas reações cruzadas: a sensibilização a uma das proteínas pode levar a reações alérgicas quando houver exposição a proteínas semelhantes, não necessariamente do mesmo alérgeno. Alérgeno Risco de reação cruzada com Amendoim Ervilha, lentilha, feijão Nozes Castanha-do-pará, avelã Salmão Peixe-espada, linguado Camarão Caranguejo, lagosta Trigo Centeio, cevada Leite de vaca Carne (bovina), leite de cabra Pólen Maçã, pêssego, melão Látex Kiwi, banana, abacate Leite de vaca Soja A alergia cruzada pode ajudar a determinar alimentos para a dieta de exclusão. IgE sérica específica versus teste cutâneo de hipersensibilidade alérgica Ambos os testes são aceitáveis, mas seus valores só podem ser comparados se realizados na mesma ocasião. Ainda não existe um consenso sobre quando o prick é 100% confiável (tamanho da pápula, alguns estudos apontando 8 mm para LV). Valores de IgE como parâmetro no acompanhamento clínico Pacientes com níveis elevados de IgE específica parecem ter maior probabilidade de apresentar reação clínica, comparados aos indivíduos com níveis mais baixos. Em vista disso, o monitoramento semestral/anual dos níveis de IgE sérica seria um importante instrumento de controle clínico e decisão para o melhor momento de testar a tolerância oral (perda da sensibilidade). A diminuição contínua dos níveis séricos de IgE específica, associada à ausência de reações clínicas e à idade do paciente (cerca de 85% das crianças remitem sua hipersensibilidade aos alimentos por volta dos três anos de idade) permitiriam ao médico indicar o teste de provocação oral e possível reintrodução do alimento à dieta do paciente. Portanto, crianças com ige específico positivo devem repetir o exame regularmente e a baixa dos níveis é bom indicativo para a cura, que só será confirmada com a liberação da dieta. Ter o exame de ige específico negativado também indica um bom momento para se tentar a reintrodução. Desencadeamento oral (aberto e fechado) Os testes de provocação oral são considerados os únicos métodos fidedignos para estabelecer o diagnóstico de alergia alimentar. Consistem na oferta de alimentos e/ou placebo em doses crescentes e intervalos regulares, sob supervisão médica, com concomitante monitoramento de possíveis reações clínicas. Na vigência de reações graves anteriores, o procedimento deve ser realizado em ambiente hospitalar, com recursos de emergência disponíveis. As situações em que a necessidade dos testes de provocação oral se impõe são: 1) casos em que diversos alimentos são considerados suspeitos, seus testes específicos para IgE são positivos e a restrição de todos esses alimentos da dieta é imposta: o teste oral para cada um dos alimentos seria indicado para a reintrodução à dieta dos alimentos que não provocaram reação; 2) reações do tipo anafiláticas, cujo alimento altamente suspeito não apresenta positividade no teste de IgE específica (o teste de provocação deverá ser realizado em ambiente hospitalar, com material de emergência disponível); 3) necessidade de estabelecer a relação causa x efeito entre o alimento e os sintomas, mesmo que haja melhora do quadro após sua restrição da dieta; 4) alergias parcialmente ou não mediadas por IgE, quando os testes laboratoriais são de pequeno auxílio diagnóstico. A história anterior de anafilaxia grave contra-indica o desencadeamento. Uma vez avaliada a necessidade do teste, deve-se ponderar os riscos e benefícios com o paciente e/ou sua família. Se houver a mais remota possibilidade de reação aguda e/ou grave, o teste deverá ser realizado na presença do médico e sob condições que possibilitem socorro imediato ou mesmo ambiente hospitalar. Alguns autores preconizam o teste labial no início do procedimento, aplicando o alimento (ou placebo) no lábio inferior do paciente e prosseguindo com a realização do teste se não houver qualquer reação local ou sistêmica após alguns minutos. Essa é uma boa dica quando for reintroduzir o alimento em casa, quando a criança têm reações retardas e não tem história de anafilaxia. Antes de oferecer o alimento diretamente ao consumo, durante uns 3 dias, passe na dobra do braço e em volta do lábio e observe. Qualquer sinal de reação contraindica a continuidade da reintrodução. II - Alergia alimentar não-IgE mediada Sob esta denominação estão reunidas todas as manifestações de hipersensibilidade em que os anticorpos IgE não têm participação.São as alergias que apresentam reações retardadas, muitas vezes, dias depois do consumo do alérgeno, dificultando o diagnóstico. À semelhança das alergias alimentares mediadas por IgE, o desencadeamento oral é o padrão-ouro na confirmação diagnóstica desses quadros de alergia alimentar. Quantificação de anticorpos IgG e IgG4 séricos específicos Vários laboratórios americanos e europeus oferecem esses testes a médicos e, até mesmo, diretamente aos pacientes, afirmando serem capazes de identificar “intolerâncias” e alergias alimentares que ocasionam ou contribuem para fadiga crônica, obstrução nasal, problemas sinusais, cefaléias, hiperatividade, síndrome do intestino irritável, artrite e quase qualquer sintoma somático ou mental. Contudo, as evidências disponíveis não dão suporte à eficácia diagnóstica da dosagem de IgG específica em nenhuma doença em particular além da hemossiderose pulmonar (Síndrome de Heiner). Esse exame está disponível no Brasil e é oferecido como confiável e tem custo bastante elevado. No entanto, sua acurácia é questinada por estudos em todo mundo por uma razão simples: o igg específico aumenta naturalmente com a exposição aos alimentos. E quanto mais ele é consumido, mais aumenta. Então ele dará "positivo" para o que a criança consome, principalmente o que ela consome muito (e gosta). Vai-sei excluir sem necessidade esse alimento da dieta, e se consumir de vez em quando "não haverá problema". Claro que não vai dar nada, provavelmente não há alergia nenhuma! Um pouco sobre ele aqui: "Testes de IgG4 para alergia alimentar não são recomendados como um instrumento diagnóstico. Os testes sorológicos de imunoglobulina G4 (IgG4) para alimentos são persistentemente promovidos para o diagnóstico da hipersensibilidade induzida por alimentos. Desde que muitos pacientes acreditam que os seus sintomas estão relacionados à ingestão alimentar sem confirmação diagnóstica de uma relação causal, os testes de IgG4 específico alimentar representam um mercado crescente. O teste para o sangue IgG4 para alimentos é feito em larga escala para centenas de itens alimentares em crianças jovens, adolescentes e adultos. Contudo, muitas amostras de soro mostram resultados de IgG4 positivos sem sintomas clínicos correspondentes. Esses achados, combinados com a falta de evidências convincentes acerca das propriedades histamínicas da IgG4 em seres humanos, e a falta de quaisquer estudos controlados para valor diagnóstico da prova de IgG4 na alergia alimentar, não fornecem nenhuma prova da hipótese de que ao IgG4 específico alimentar deve ser atribuído um papel efetivo na hipersensibilidade alimentar. Em contraste com as crenças discutidas, o IgG4 para alimentos indica que o organismo era repetidamente exposto a componentes alimentares, reconhecidos como proteína estrangeira pelo sistema imune. A sua presença não deve ser considerada como um fator que induz a hipersensibilidade, mas sim como um indicador da tolerância imunológica, ligada à atividade de células T reguladoras. Finalmente, o IgG4 específico alimentar não indica a alergia alimentar (iminente) ou a intolerância, mas sim uma resposta fisiológica do sistema imune depois de exposição a componentes alimentares. Por isso, o teste de IgG4 para alimentos é considerado irrelevante como teste diagnóstico laboratorial para alergia alimentar ou intolerância e não deve ser feito em caso de suspeita de alergia alimentar." Para as alergias retardadas com sistemas intestinais, uma maneira indireta de compor o diagnóstico é através dos exames de fezes. Ao invés de um exame invasivo como colonoscopia, pode-se testar as fezes para sangue oculto, presença de hemácias, leucócitos, substâncias redutoras, dosagem de alfa 1 antitripsina. Resultados positivos (com exclusão de parasitose e infecções) podem indicar a alergia alimentar que deve ser confirmada com o teste de retirada do alimento e desencadeamento. ![]() 29 de abril de 2011 às 02:20 · Público |