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Alergia a LV e problemas respiratórios Trechos retirados do estudo "Apresentação clínica da alergia ao leite de vaca com sintomatologia respiratória", de FÁBIO FERREIRA DE CARVALHO JUNIOR, publicado no J. Pneumologia vol.27 no.1 São Paulo Jan. 2001. O antecedente familiar atópico é característica marcante em nosso estudo: 82% das crianças com pai, mãe ou ambos atópicos. Jakobsson e Lindberg, em 1979, descreveram antecedente familiar de atopia em 70% de sua casuística(14). Em clássico estudo de Bousquet e Kjellman, de 1986, foi descrito risco de desenvolvimento de atopia de 40 a 60% se ambos os pais são atópicos e de 20 a 40% se um dos pais é atópico(15). Host et al. (1995) e Lovegroove et al. (1996) são unânimes em afirmar o importante papel do leite materno na prevenção de doenças atópicas e, em especial, a alergia ao leite de vaca(10,18). Esteban, em 1992, relatou grupos de crianças com alergia ao leite de vaca, que, introduzido antes do primeiro mês de vida, provocou o desenvolvimento da sintomatologia dessa alergia a partir desse momento(19). Ressaltamos que o diagnóstico da alergia ao leite de vaca não deve ser baseado exclusivamente nos testes cutâneos de hipersensibilidade e que este diagnóstico está relacionado à realização de provas de exclusão e provocação do alimento. Os testes cutâneos são exames que, quando positivos, sugerem, mas não confirmam o diagnóstico. O padrão de sintomatologia referido na literatura mundial demonstra o predomínio do envolvimento da pele e do trato gastrointestinal. O envolvimento do aparelho respiratório é muito menos frequente, variando entre 2 e 8,5% em asmáticos(38-41), sendo raro como acometimento isolado(6-8,42). A sintomatologia respiratória alta ou baixa tem sido descrita como consequência de várias provocações alimentares. Os alérgenos alimentares são capazes, em minutos ou em até duas horas, de induzir uma gama diversa de sintomas, desde típicos de rinoconjuntivite alérgica, sibilância, até alterações espirométricas com queda da capacidade vital forçada, do volume expiratório forçado no primeiro segundo e dos fluxos expiratórios máximo e mínimo durante provocação duplo-cega placebo-controlada(43-45). Concluímos, salientando a necessidade do estímulo ao aleitamento materno exclusivo, principalmente em crianças com antecedente familiar atópico presente, bem como a de incluir a alergia ao leite de vaca como diagnóstico diferencial em lactentes chiadores, mesmo sem a concomitância de quadros gastrointestinais ou de pele. O diagnóstico preciso de alergia ao leite de vaca deve ser realizado através de métodos adequados, como a dieta de exclusão com provocação, ou associação de alguns exames, uma vez que não existe um exame laboratorial que dê o diagnóstico de alergia ao leite de vaca e, sim, exames laboratoriais que inferem a doença, e, por fim, ressaltar que o diagnóstico errado pode ter consequências físico-psicossociais importantes. 18 de abril de 2011 às 23:55 · Público |