A execrável decisão do juiz do DF tem como um de seus fundamentos uma noção de livre mercado. Se há gente disposta a vender a "cura" da homossexualidade e se há público para isso, não haveria porque intervir.
O "livre mercado" sempre opera com base em opressões prévias. No caso, a profunda violência que pode levar algumas pessoas a buscarem uma adaptação forçada, mesmo que às custas da mutilação de seu próprio ser. Ao mesmo tempo, as relações de mercado têm impacto que superam a troca localizada entre comprador e vendedor. A permissão para que psicólogos prometam essa "cura" é, em si mesma, um estímulo poderoso para a manutenção da estigmatização e, portanto, da violência contra a população homossexual.
Não sei se falta ao juiz discernimento para perceber as consequências de sua decisão ou, pior, se ele tem plena noção do que está fazendo e simplesmente quer avançar sua agenda reacionária. Num caso como no outro, é mais um exemplo de como o Poder Judiciário tem funcionado, no Brasil, para limitar direitos e rebaixar a dignidade da pessoa humana.